
Essa semana foi bem agitada para a aviação comercial, tanto nos Estados Unidos e Europa, quanto no Brasil.
Para completar toda essa movimentação na aviação comercial brasileira durante a última semana, ainda temos o caso VarigLog.Tudo começou com a briga do fundo Matlin Patterson - por meio de sua subsidiária Volo Logistics, pertencente ao chinês Lap Wai Chan - com os sócios brasileiros Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Eduardo Gallo. É uma disputa que já se arrasta por meses, desde que a VarigLog vendeu a VRG para a Gol, em 29 de março de 2007.O Matlin, que por meio da VarigLog pagou US$ 20 milhões pela VRG no leilão judicial em 2006, entende que o dinheiro da venda (US$ 98 milhões, mais 6 milhões de ações da Gol) deve ser destinado ao próprio fundo, como parte do pagamento de uma série de empréstimos feitos pelo Matlin à VarigLog e a VRG. Os sócios brasileiros dizem, contudo, que o dinheiro deve ficar na VarigLog e que os empréstimos vencem apenas em 2011. Em meio à briga, o Matlin acusa os brasileiros de má gestão, desvio e mal uso dos recursos da VarigLog. E os brasileiros acusam o Matlin de tentar quebrar a empresa. Essa briga deixou a companhia, que já teve 50% do mercado brasileiro de cargas aéreas, praticamente parada, atualmente a empresa não faz mais suas rotas internacionais. A VarigLog já chegou a ter um faturamento mensal de R$ 80 milhões, no mês passado, porém, o faturamento despencou para menos de R$ 17 milhões. A situação chegou ao ponto de o juiz José Paulo Magano, da 17ª Vara Cível de São Paulo, emitir uma sentença, no dia 1° de abril, ordenando o afastamento, dos sócios brasileiros Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel, e concedendo plenos poderes a um estrangeiro, o chinês Lap Wai Chan, como acionista majoritário, contrariando absolutamente a legislação do setor aéreo brasileiro. O juiz afirma que os sócios brasileiros geriram a VarigLog de forma “temerária” e reconhece que o Matlin contratou Audi, Haftel e Gallo com o intuito claro de “burlar” o Código Brasileiro da Aeronáutica. Os três seriam, portanto, laranjas do Matlin. Com a sentença do juiz, Lap Chan entra para a história da aviação brasileira como o primeiro estrangeiro a gerir e a ter as ações majoritárias de uma companhia aérea. Pelo Código Brasileiro Aeronáutico, no artigo 181, determina que: "A concessão somente será dada à pessoa jurídica brasileira que tiver: I-sede no Brasil; II-pelo menos 4/5 (quatro quintos) do capital com direito a voto, pertencente a brasileiros, prevalecendo essa limitação nos eventuais aumentos do capital social; III - direção confiada exclusivamente a brasileiros". Assim, devido ao que estabelece o artigo 181, o juiz deu prazo de 60 dias para que ela encontre novos sócios e regularize sua situação junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).Nessa audiência, Lap Chan acordou que o dinheiro depositado em uma conta na Suíça proveniente da venda da VRG para a Gol, seria destinado exclusivamente para resolver os problemas de caixa da própria VarigLog, como pagamentos de dívidas, entre elas salários e fornecedores, estando vetado a transferência para a própria Volo LLC. Mas, o chinês, aproveitando-se da decisão do juiz Magano, que afastou os sócios brasileiros e concedeu a ele a condição de acionista majoritário, contrariou a decisão judicial e autorizou junto ao Lloyds TSB Bank, a transferência de US$ 17,1 milhões para o grupo aéreo chileno LAN, que havia emprestado esse valor para a VRG. O restante do dinheiro, cerca de US$ 71 milhões, foram transferidos para uma conta da Volo Logistics no JP Morgan. As ordens de transferência mostraram que a intenção inicial de Lap Chan era fazer a transferência integral dos US$ 88 milhões depositados na conta da VarigLog para a conta da Volo. Mas foi impedido, pois os recursos também estavam bloqueados por causa da ação judicial movida pelo grupo Lan, impossibilitando assim a primeira ordem de transferência. A Lan emprestou US$ 17,1 milhões para a VRG no início do ano passado, operação que lhe dava preferência para, eventualmente, adquirir uma participação acionária na VRG. No entanto, o Matlin optou por vender a empresa para a Gol. Com a concretização da venda, a Lan resolveu cobrar o empréstimo da própria Gol, mas conforme está no contrato de compra da VRG, essa dívida não poderia ser cobrada dos novos donos da companhia. A própria Gol também tem uma disputa judicial com o Matlin. A empresa cobra R$ 160 milhões por conta de dívidas herdadas da velha Varig.
Assim, após ter tomado conhecimento dessas ordens de transferência, o juiz José Paulo Magano determinou que a Polícia Federal impedisse a saída do Brasil do executivo Lap Wai Chan, e apreenda seu passaporte. O juiz aplicou ainda uma multa de US$ 1 milhão ao executivo e determinou que o empresário se apresentasse à Justiça nesta quinta-feira (10) até às 13 horas. Porém, o chinês foi mais rápido e deixou o país no dia 9, no final da tarde, ou seja, antes que a Polícia Federal tivesse sido informada da decisão da Justiça proibindo sua saída. Segundo o Jornal do Brasil, conforme uma fonte da própria VarigLog, o chinês teria ido para a Suíça, onde estaria tentando a liberação do dinheiro, em companhia de uma advogada brasileira, mas segundo outra versão, ele estaria em Nova York.
Em um comunicado divulgado à imprensa no início da noite do dia 11, o fundo Matlin defende-se afirmando que tudo não passou de um grande “mal-entendido”. “O pedido de transferência dos recursos que se encontram na Suíça estava associado à abertura de uma linha de crédito destinada a reestruturar a VarigLog, conforme obrigação assumida perante a Justiça”. O Matlin acusa os sócios brasileiros de “ilicitamente interceptar correspondências” e de induzir o juiz ao erro. Lap Chan tinha compromissos marcados para esta sexta em São Paulo. Segundo fontes do setor, uma das reuniões que Lap deixou de comparecer por deixar o país foi com o presidente da Gol, Constantino de Oliveira Junior. A reunião havia sido marcada para tratar de uma dívida de R$ 160 milhões que a Gol cobra do Matlin relacionada a passivos da velha Varig no exterior. Conforme o jornal O Estado de São Paulo, ao ser procurada, a Gol não confirmou a informação sobre a reunião.
A situação da aviação comercial americana ainda ficou mais complicada pelo fato de a American Airlines já ter cancelado, no começo desta semana, mais de 3 mil vôos, com a finalidade de realizar inspeções e reparos em seus jatos MD-
Ainda na semana que passou, a Delta Air Lines e a Northwest Airlines retomaram as negociações em torno de uma fusão, de acordo com uma pessoa que acompanha o assunto, revelou o jornal "Financial Times". As duas companhias áreas americanas procuram alternativas para ganhar escala em face da brutal retração do setor.A Delta e a Northwest haviam chegado perto de um acordo em fevereiro, mas as negociações pararam depois que seus sindicatos de pilotos falharam em estabelecer uma estrutura comum de cargos e salários, entre outros itens.
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